http://bd-tube.blogspot.com/
Espero que não desgostem... quem se quiser juntar a mim é bem-vindo.
Abraços
sábado, 22 de Novembro de 2008
sábado, 6 de Setembro de 2008
O Coleccionador
Todos o conheciam de vista, na metrópole. Até os jornais e televisões se haviam interessado por aquele sem-abrigo que, seis dias por semana, como se de um emprego se tratasse, trepava ao velho carvalho da rotunda mais movimentada da cidade e ali ficava até anoitecer.Nunca ninguém ouvira o Homem-do-Carvalho falar, nem faziam a mínima ideia do que o motivava a, fizesse chuva ou sol, passar dez horas por dia empoleirado naquele sítio desconfortável. Ninguém sabia que ele já tinha tido um emprego importante, muito dinheiro e uma família numerosa. Nunca dissera a ninguém que a única coisa que o mantinha vivo era a paixão pelo coleccionismo.
Aos quatro anos de idade começou a juntar e catalogar as madeixas de cabelo que caiam no chão da barbearia do seu avô. Depois, ainda criança, interessou-se por anzóis, cabides de madeira e fronhas de almofada. A busca incessante por dentaduras postiças, em lojas de penhores, lares de terceira idade e casas funerárias, dominou-lhe a adolescência até ter vendido, a um ortodontista alemão reformado, as quatro centenas de exemplares que reunira para, com o dinheiro, iniciar uma colecção de estribos medievais, que veio a ser reconhecida nos meandros da especialidade como a mais importante em todo o mundo. Maletas de serviços postais e exaustores de cozinha eram os seus principais interesses antes do “crash” bolsista que o levou à ruína.
Quando se viu sozinho, desempregado e sem tecto, optou por folhetos publicitários de formato inferior a A3 mas, sem local para os armazenar, chegou-lhes um fósforo numa noite rigorosa de Inverno e dormiu quente, embora atormentado por delírios e pesadelos. Durante vários dias sentiu pela primeira vez que o mundo lhe caía em cima, até que, depois de muita reflexão, encontrou a colecção perfeita para a sua situação actual: matrículas de veículos automóveis!
Não as próprias matrículas, enquanto objectos físicos, mas antes as suas infindáveis combinações de letras e números.
Agora, mais de quinze anos depois, orgulhava-se intimamente de ter memorizado todas as matrículas dos transportes públicos, incluindo táxis, veículos da polícia, bombeiros, ambulâncias e outras viaturas oficiais. Pelos seus últimos cálculos, tinha decorado entre trinta a quarenta porcento das chapas que circulavam na grande metrópole, e em duas das três ocasiões em que o Banco situado na rotunda fora assaltado, apercebeu-se do que iria acontecer assim que os carros com matrícula falsa pararam à porta.
Para não se aborrecer, há um par de anos, inaugurou mentalmente uma nova secção dedicada a automóveis estrangeiros e do corpo diplomático, que inicialmente tinha excluido por apresentarem um esquema alfa-numérico diferente. Agora, apenas os motociclos e motorizadas ficavam de fora, porque tinha dificuldade em ler aquelas matrículas de tamanho reduzido. A idade e muitos anos de noites ao relento, má nutrição e falta de cuidados médicos faziam-se notar cada vez mais, e numa tarde soalheira de fim de Verão, enquanto passava um Mercedes novinho em folha da embaixada da República do Congo, o Homem-do-Carvalho, sentado no ramo mais grosso como de costume, dobrou-se agarrado ao braço, com um esgar de dor, e caiu ao chão.
Quando recuperou os sentidos, ouvindo ao longe alguém dizer que a ambulância já tinha chegado, o Homem-do-Carvalho, que todos conheciam de vista mas que ninguém alguma vez tinha ouvido falar, tentou inutilmente abrir os olhos na esperança de vislumbrar a matrícula da ambulância. Qual seria? A esta hora, só dez ambulâncias do Hospital mais próximo estariam disponíveis e ele recordava-se de, ainda há pouco, ter visto quatro delas passar com as luzes de emergência acesas. Num último esforço, iludindo momentaneamente o abraço negro e frio que sentia apertar-se à sua volta, aguentou o tempo suficiente para ouvir o barulho das rodas da maca na calçada irregular e o tric-tric pesadão dos sapatos de salto da paramédica que a empurrava. Ficou a saber qual a matrícula da ambulância em que morreu.
quinta-feira, 4 de Setembro de 2008
Dão-se alvíssaras por disciplina perdida
Escrever para banda desenhada tem vários momentos mágicos, sobretudo aquele em que vemos pela primeira vez a transformação do guião em desenhos. Mas, para quem o faz apenas ocasionalmente, a espera é prolongada e a escrita criativa, como quase tudo o resto, exige treino, experimentação, dedicação.Por isso, já que se me limitar a escrever para BD apenas terei oportunidade de o fazer meia-dúzia de vezes por ano, desafio-me a escrever, com regularidade semanal, um conto de 300 a 500 palavras (não mais, para me poupar a mim e a eventuais leitores generosos e pacientes que aqui caiam).
Entretanto, porque só no fim-de-semana terei oportunidade de me lançar nesta empreitada, vou ali à loja da esquina ver se vendem imaginação e disciplina... uma porque nunca é demais para ter em stock, a outra porque a deixei perdida algures durante as férias.
sexta-feira, 11 de Julho de 2008
Cadavre Exquis - Central Comics
Um cadavre exquis é, basicamente, um exercício criativo colectivo, em que cada prancha de BD é elaborada por um autor (ou equipa de autores), tendo por base as pranchas elaboradas pelos autores antecedentes.Ora, no âmbito das celebrações do 6º aniversário do portal de banda desenhada Central Comics (o grande ponto de encontro, em Portugal, dos internautas apaixonados pela 9ª arte), concebeu-se um projecto em cadavre exquis, cabendo-me a mim a criação do argumento da 3ª prancha, desenhada por João Neto.
Para mais informações sobre o evento, e para visionar a totalidade das pranchas realizadas até ao momento, consultem-se os seguintes: http://cc-cadavreexquis.blogspot.com/ e http://www.centralcomics.com/index.php?option=com_fireboard&Itemid=35&func=view&catid=12&id=12575#12575.
terça-feira, 26 de Fevereiro de 2008
Htx no "Artefacto"
Junta-se ao "Artefacto" o versátil artista Hugo Teixeira (Bang Bang; Monótonos Monólogos de um Vagabundo). Fiquem com um exemplo do seu enorme talento.
domingo, 10 de Fevereiro de 2008
domingo, 27 de Janeiro de 2008
para o "ARTEFACTO"
alguns estudos, pelo Filipe.


O talento que os desenhistas do "Artefacto" têm mostrado deixa-me, cada vez mais, confiante no sucesso deste projecto, que está a chegar áquela fase mágica em que os guiões se transformam em pranchas divididas em quadradinhos e cheias de desenhos magníficos.


O talento que os desenhistas do "Artefacto" têm mostrado deixa-me, cada vez mais, confiante no sucesso deste projecto, que está a chegar áquela fase mágica em que os guiões se transformam em pranchas divididas em quadradinhos e cheias de desenhos magníficos.
Ainda faltam uns meses para ter o livro nas mãos, mas estou mesmo ansioso... Até já ando a escrever para o volume 2 ;)
segunda-feira, 7 de Janeiro de 2008
Pesquisa :)
Durante o processo criativo a pesquisa bibliográfica e fotográfica é, normalmente, fundamental (excepto, talvez, quando a acção decorre num cenário totalmente nascido da imaginação do autor).


Pesquisar pode ter contornos de pesadelo ou de puro prazer, consoante a extensão da empreitada ou a dificuldade em encontrar referências... valha-nos, hoje em dia, a internet!
Nos últimos tempos tenho-me dedicado bastante a pesquisar sobre os mais diversos assuntos, quer para projectos em fase de execução, quer para outros ainda em estado embrionário.
Para não desvendar nada sobre esses projectos, deixo-vos apenas algumas fotos de um avião biplano do final da década de 20, um DeHavilland 60G Gipsy Moth que será retratado numa das BD do ARTEFACTO.
Banda-desenhada e aviões, que fixe, os meus fascínios de infância! É porreiro poder continuar a ser criança, nas horas vagas. :)


quarta-feira, 28 de Novembro de 2007
terça-feira, 27 de Novembro de 2007
Humoral da História
O blogue "Humoral da História", do jornal Expresso, lançou um concurso em que o desafio é completar um cartoon de Rodrigo com texto adequado. Concorri na 1ª edição desse concurso, e a minha frase foi a escolhida. Agora vou receber o desenho original, como prémio, e continuar a participar. http://expresso.clix.pt/gen.pl?sid=ex.sections/23465
quinta-feira, 22 de Novembro de 2007
terça-feira, 20 de Novembro de 2007
Em breve
Vejam mais, aqui: http://www.centralcomics.com/index.php?option=com_fireboard&Itemid=35&func=view&id=347&catid=5
segunda-feira, 12 de Novembro de 2007
a corrente da pág. 161
Circula pela blogosfera uma "corrente" que propõe a cada um abrir o livro que estiver mais próximo, na pág. 161 e transcrever o 5º párágrafo, fala, ou balão, antes de lançar o desafio a 5 outros blogues.
Apesar de não apreciar estas coisas das "correntes", esta é irresistível, e depois de pedinchar ao amigo João Pedro (celticwarrior) do blogue http://areanegativa.blogspot.com/2007/11/o-desafio-da-pgina-161.html que me incluísse na sua lista, cá vai a minha transcrição (de um livro de BD, claro)
Swamp Thing vol.2: Love and Death
com argumento de Alan Moore e arte de vários ilustres.
"...and then we delinquished Front-mate Bartle to the soil he had died believing was his home..."
e agora, passo o desafio a bloggers que não faço ideia se o aceitarão, desde já pedindo desculpa aos que o acharem uma perfeita estupidez :
Rita Dias: http://geladodegroselha.blogspot.com/
J. Mascarenhas: http://omeninotriste.blogspot.com/
Adalberto Barreto: http://bibliotecarioanarquista.blogspot.com/
David Soares: http://sonhodenewton.blogspot.com/
Luis Baldini: http://framelabs01.blogspot.com/
Apesar de não apreciar estas coisas das "correntes", esta é irresistível, e depois de pedinchar ao amigo João Pedro (celticwarrior) do blogue http://areanegativa.blogspot.com/2007/11/o-desafio-da-pgina-161.html que me incluísse na sua lista, cá vai a minha transcrição (de um livro de BD, claro)
Swamp Thing vol.2: Love and Death
com argumento de Alan Moore e arte de vários ilustres.
"...and then we delinquished Front-mate Bartle to the soil he had died believing was his home..."
e agora, passo o desafio a bloggers que não faço ideia se o aceitarão, desde já pedindo desculpa aos que o acharem uma perfeita estupidez :
Rita Dias: http://geladodegroselha.blogspot.com/
J. Mascarenhas: http://omeninotriste.blogspot.com/
Adalberto Barreto: http://bibliotecarioanarquista.blogspot.com/
David Soares: http://sonhodenewton.blogspot.com/
Luis Baldini: http://framelabs01.blogspot.com/
domingo, 28 de Outubro de 2007
domingo, 7 de Outubro de 2007
Será pecado?
É que, escrever para BD está (cada vez mais) a tornar-se um (outro)prazer viciante. Terminei agora o guião para a minha parte de um projecto que se propôs a colocar em ebulição a criatividade dos 13 companheiros envolvidos e, espera-se, a agitar um pouco a banda desenhada nacional (pormenores só em Janeiro). Entretanto, tenho na forja várias ideias em diferentes estados de desenvolvimento: Concluo, nos próximos dias, um pequeno argumento destinado a Angoulême e baseado num delicioso episódio verídico da infância de um amigo; vou pesquisando pacientemente para um projecto que não sei se algum dia vou iniciar; e tento ganhar coragem para me pôr a escrever o guião com que sonho tornar-me um autor editado no mercado franco-belga. Mas, como não apenas de sonhos (que, por enquanto, ainda são gratuitos e não pagam impostos) vive o homem, mas também de uma infinidade de outras coisas que têm de ser pagas no "vil metal", e os próximos meses estão repletos de obrigações profissionais, até meados de Dezembro dificilmente me poderei dar ao luxo de pensar em quadradinhos. Até lá, abraços.
segunda-feira, 6 de Agosto de 2007
o guião de "25.12.1914"...
... não existiu. Isto é, sendo uma banda desenhada baseada em factos reais, porque a trégua natalícia de 1914 aconteceu realmente, limitei-me a enviar ao Manuel Morgado o texto final e alguns textos documentais e fotografias resultantes da pesquisa que fiz. A própria estrutura do texto, em versos, e a forma como os acontecimentos são narrados, conjugados com os relatos Históricos relativos às tréguas, eliminaram a necessidade de descrever o ambiente, contexto e personagens para lá do que resulta dos próprios versos.
De resto, porque já antes tinha escrito um guião para o Morgado desenhar, queria agora experimentar dar-lhe mais liberdade, de forma a conhecer melhor a sua forma de trabalho, virtudes e limitações, para que, numa eventual futura colaboração, a sinergia argumentista/desenhista possa ser cada vez melhor.
Se, por um lado, do trabalho de uma dupla de autores resulta inegavelmente um objecto que não poderia ser elaborado por um só deles, por outro lado, pode também resultar algo que não atinja as suas expectativas ou capacidades individuais. Claro que o autor "solitário" não sofre deste mal, porque realiza sozinho as suas próprias ideias, sem erros de comunicação entre etapas e sem divergências artísticas.
Entre co-autores torna-se, portanto, fundamental o conhecimento mútuo, o que na verdade só se consegue através da experimentação prática, ensaiando diferentes estilos formais e processuais. No meu caso com o Morgado, que ainda não conheci pessoalmente e com quem só comunico através da net, pareceu-me ainda mais importante experimentar dar-lhe total liberdade para escolher os "momentos" a ilustrar, enquadramentos, grafismo e outros aspectos, até porque ele tem formação profissional, bastante experiência e certamente muito melhor "olho" do que eu...e o resultado, quer ao nível do conhecimento mútuo quer da qualidade do produto final, não poderia ter sido melhor.
sábado, 28 de Julho de 2007
o guião da "Alquimia Temporal"
Para mostrar um pouco do meu processo criativo, mais especificamente do resultado final do mesmo, deixo-vos o guião da "Alquimia Temporal" tal e qual como o enviei ao desenhista Filipe.Naturalmente que, juntamente com o guião, seguia uma breve mensagem em que o incitava a não seguir demasiado à risca as minhas indicações, que no fundo serviam, sobretudo, para lhe possibilitar um "mergulho" na estória. Aliás, enquanto os desenhos se iam compondo, fomos trocando ideias, resultados de pesquisas e ainda discutindo vinheta a vinheta os efeitos pretendidos. O resultado final foi, pois, fruto de uma colaboração o mais intensa possível (apesar de limitada a cerca de uma semana em part-part-time).
ALQUIMIA TEMPORAL
Imóvel, sem pestanejar, o Gato fita a escuridão do vazio.
Das sombras nascem imagens de locais próximos e longínquos, futuros e passados, torcidos e enrolados numa amálgama imperceptível, quase impenetrável.
O tempo é um enorme novelo de lã. Um cordão, tecido antes dos próprios Deuses, com uma ponta na criação do Universo e a outra perdida no infinito.
Fora deste tempo e deste espaço, algures para além da compreensão, unhas afiadas rasgam o ar e…
… com precisão cirúrgica cortam o cordão temporal, desfiando-o em várias linhas.
Num estado quase de transe, aumentando a cadência do ronronar, o Gato apura os sentidos.
À sua frente encontra-se a entrada de um misterioso labirinto de múltiplos corredores escuros e estreitos, em direção aos quais o gato avança, confiante no caminho que os astros lhe indicaram.
A viagem tem início e as imagens sucedem-se em catadupa, como relâmpagos numa grande tempestade, iluminando, por breves momentos, quatro séculos adiante. Aquele futuro é uma época de extremos. A guerra, o ódio e a intolerância, numa escala de pesadelo, coexistem com fantásticas máquinas de progresso e de comunicação, nascidas do sonho.
As cidades sobem às nuvens e os aventureiros vão muito para lá delas. O território do homem ficou mais pequeno, mas também maior. O Gato volta para trás, já foi longe demais…
No regresso, a escuridão é total e a visão é inútil. O perigo é ser enganado pelos outros sentidos e perder o tempo a que pertence. Perder o tempo… perder… BUM BUM BUM
O tempo a que pertence.
BUM BUM BUM
-Trago uma mensagem urgente para o Senhor desta casa, ilustre médico e astrólogo da Família Real.
-Sou eu, Michel de Nostradamus.
(por volta de 1550-1560, teria Nostradamus cerca de 50 anos)

O Estúdio:
O estúdio de Nostradamus é uma divisão rectangular de tamanho equivalente a uma sala grande de um apartamento moderno. Tal como acontece habitualmente com estas divisões de trabalho, a desarrumação é muita. O estúdio é iluminado por várias velas.
Perto do centro da sala encontram-se uma grande mesa de madeira e uma cadeira de madeira almofadada. Em cima da mesa estão alguns livros grossamente encadernados, dispostos em 2 ou 3 montes, um candelabro com velas acesas e um astrolábio do sistema solar.
Na zona da mesa mais perto da cadeira, encontram-se várias folhas de papel em cima das quais estão uma pena de escrever e um tinteiro.
A um canto da sala existe um laboratório de alquimia (ver foto), com o lume acesso – para tornar o laboratório mais perceptível podes adicionar uma mesa com alguns frascos de vidro, e balões de vidro, um dos quais cheio de líquido borbulhante e fumegante, e assente num tripé com uma lamparina por baixo.
As outras paredes da sala estão cobertas por estantes com livros. Numa parede qualquer podem existir uns pesados reposteiros ou cortinados.
Sobre o Gato, o “plano da realidade” e o “plano astral”
O Gato é preto (penso que é o melhor para a estória, pelo cariz misterioso e místico do gato preto).
Durante toda a estória o gato aparece em duas situações distintas:
-no plano da realidade: o gato está, do princípio ao fim, completamente imóvel, como se em transe, sentado numa pose felina muito digna, quase imperial.
-no plano astral: durante a estória vai acontecer como se o espírito do gato caminhasse pelo tempo. Ao caminhar pelo tempo, e antes disso, perante o novelo de lã temporal o gato movimenta-se sempre com grande elegância felina. No plano astral a pose do gato nunca deve ser estática.
O plano da realidade é colorido.
Todas as vinhetas do plano astral devem ser a preto e branco. As imagens do futuro projectadas no plano astral devem ser numa escala de cinzentos.
Sobre o novelo de lã temporal: temo não ter grandes ideias de como fazer isto. Num filme com orçamento ilimitado para efeitos especiais acho que seria algo como se o cordão de lã reflectisse imagens, como se fosse composto por um televisor esticado, ou por muitos televisores… Talvez lhe consigas dar um aspecto granulado, como uma televisão dessintonizada. Puxa pela imaginação.
(nota sobre as caixas de texto: talvez possas fazer umas caixas de texto diferentes, com um toque de antiguidade, ou letra antiga manuscrita, …) -toda a estória é com caixas de texto, à excepção da última(s) vinheta(s), em que há balões.
1ª prancha/1ª vinheta:
No plano da realidade:
Enquadramento aproximado da face (ou só dos olhos) do gato. Os olhos devem estar semi-cerrados.
Imóvel, sem pestanejar, o Gato fita a escuridão do vazio.
1ª p./2ªv.
No plano da realidade:
Enquadramento geral do estúdio visto mais ou menos na perspectiva do gato (que, portanto, aparece de costas), como se o observador estivesse um metro atrás do gato e um pouco mais alto.
Ao fundo da sala existe um local imerso em escuridão, (mesmo em frente do gato, ou na direção para a qual ele tem a cabeça virada) para onde se adivinha que o gato está a olhar.
Das sombras nascem imagens de locais próximos e longínquos, futuros e passados, torcidos e enrolados numa amálgama imperceptível, quase impenetrável.
1ªp./3ªv.
Misto de planos realidade/astral
Exactamente no mesmo ponto de vista (pdv) da vinheta anterior, como se fosse esta vinheta fosse uma cópia daquela.
O gato está a transitar do plano real para o astral.
Assim, o local escuro de que falei anteriormente é agora um espaço totalmente branco, ou algo como um portal para outra dimensão, embora o local ao lado (onde estão objectos/formas que sirvam de referência ao leitor) continue no plano da realidade.
No local que agora é todo branco, astral, vê-se o novelo de lã (cujo tamanho deves fazer como entenderes, embora eu pense que resulta melhor se for bastante maior do que um novelo normal, maior do que o gato)
O Gato continua como na vinheta anterior, imóvel, mas o seu corpo astral já se separou do seu corpo físico e vai a caminhar (a meio caminho) em direcção ao novelo. Não sei se concordarás, mas a minha ideia era desenhar um círculo todo branco à volta do gato astral, ou então, contorná-lo com uma aura toda branca, para indicar que aquele gato que caminha é como um espírito, que pertence ao mesmo plano onde se encontra o novelo. Existem, portanto, dois gatos nesta vinheta, o real e o astral.
O tempo é um enorme novelo de lã. Um cordão, tecido antes dos próprios Deuses, com uma ponta na criação do Universo e a outra perdida no infinito.
1ª p./4ª v.
No plano astral
O fundo da vinheta é completamente branco. O gato é preto. O novelo não sei…
Desenha “unhas afiadas rasgam o ar” , num pdv não muito aproximado, que englobe o gato (totalmente ou quase) e o novelo (totalmente ou quase)… ou de outro pdv que te pareça mais acertado.
Fora deste tempo e deste espaço, algures para além da compreensão, unhas afiadas rasgam o ar e…
2ªp./1ªv.
(sugestão: vinheta encostada à esquerda, com cerca de metade da altura da próxima)
No plano astral.
O gato já cortou um pedaço da lã, que está agora a acabar de desfiar (o cordão de lã é feito de vários fios de lã entrelaçados).
Os fios que o gato separou estão mais ou menos estendidos pelo chão, mas de uma forma não aleatória. Estão estendidos de forma ao prolongamento imaginário desses fios formar os “corredores”que se irão ver na próxima vinheta. (Podemos falar sobre isto no msn, se achares necessário).
…com precisão cirúrgica cortam o cordão temporal, desfiando-o em várias linhas.
2ªp./2ªv.
(sugestão: vinheta encostada à direita e ao alto, bem grande para dar um toque de cor a esta prancha, senão fica toda a p&b).
No plano da realidade.
O gato continua imóvel, sentado exactamente no mesmo local onde estava antes.
O pdv é o que tu quiseres, mas é importante fazer o leitor notar que o gato está a abrir mais os olhos.
Talvez uma pequena onomatopeia para o ronronar???
Num estado quase de transe, aumentando a cadência do ronronar, o Gato apura os sentidos.
2ªp./3ªv.
(sugestão: vinheta colocada por debaixo da 1ª, encostada à esquerda, com cerca de metade da altura da 2ª).
No plano astral.
O plano astral divide-se agora em duas cores, e em dois locais. O local onde o gato está continua a ser totalmente branco, mas à sua frente tudo é preto. No preto encontra-se um labirinto (de contornos cinzentos??? Ou brancos???) disposto na mesma configuração dos fios de lã que ainda estão à frente do gato.
Sugiro um pdv mais ou menos alto, sem que, no entanto, seja visível uma grande extensão do labirinto, só mesmo os contornos iniciais..
O gato está a iniciar o movimento de andar para a frente.
À sua frente encontra-se a entrada de um misterioso labirinto de múltiplos corredores escuros e estreitos, em direção aos quais o gato avança, confiante no caminho que os astros lhe indicaram.
De um misterioso túnel labiríntico de corredores …
2ªp./4ªv.
(sugestão: Vinheta ao de uma ponta à outra da prancha, no sentido horizontal, e com pouca altura, tipo película de cinema – sem o ser, claro).
No plano astral.
.A ideia é como se o gato estivesse a andar num pequeno túnel (que estamos a ver de lado), na parede do qual são projectadas imagens do futuro. O gato, de perfil e numa escala relativamente pequena aparece 3 vezes na vinheta (ou melhor, a silhueta do gato), caminhando (da esquerda para a direita) sempre em direcção ao futuro, como se fossem 3 vinhetas seguidas umas às outras, mas transformadas numa só.
As imagens do futuro devem ser em tons de cinzento, (decide se devem ser perfeitamente “focadas” ou algo “desfocadas”, ou com grão, ou numa técnica diferente do resto do desenho), e devem dar a ideia da luminosidade tipo relâmpago de que fala o texto, como se fossem flashes do futuro que se sucedem uns aos outros. Ou como se este túnel estivesse cheio de TV´s a p&b a emitir imagens diferentes..
A cauda do gato é, nesta vinheta, o seu elemento físico mais importante.
Quanto às imagens do futuro, devem ilustrar o seguinte:
Guerra 1914-18; Hitler; Bomba atómica;
A viagem tem início e as imagens sucedem-se em catadupa, como relâmpagos numa grande tempestade, iluminando, por breves momentos, quatro séculos adiante. Aquele futuro é uma época de extremos. A guerra, o ódio e a intolerância, numa escala de pesadelo, coexistem com fantásticas máquinas de progresso e de comunicação, nascidas do sonho.
2ªp./5ªv.
(basta uma vinheta bastante pequena, ou podes fazer uma grande, para equilibrar a prancha e dar mais cor).
No plano da realidade.
Durante a noite, um cavaleiro montado a cavalo, galopa velozmente.
Sugiro que mostres só uma parte do cavalo, talvez só as patas do cavalo e o pé do cavaleiro no estribo; (ou então o focinho do cavalo em esforço e as mãos do cavaleiro nas rédeas).
Se quiseres põe chuva, ou lama, ou neve, ou pó…
Esta vinheta não tem texto.
3ªp./1ªv.
(sugestão: Vinheta de estilo semelhante à 2ªp/4ªv., ou seja, horizontal a toda a largura da prancha)
No plano astral.
O Gato continua a passear-se por aquele corredor. As imagens por detrás do gato podem ser a chegada do Homem à Lua e o 11 de Setembro(com uma torre já em chamas e o outro avião a aproximar-se). A silhueta do Gato aparece mais 3 vezes nesta vinheta, mas o Gato mais à direita já está a voltar para trás (logo, da direita para a esquerda).
As cidades sobem às nuvens e os aventureiros vão muito para lá delas. O território do homem ficou mais pequeno, mas também maior. O Gato volta para trás, já foi longe demais…
3ªp./2ªv.
Plano astral
Desenha a silhueta do gato a cinzento, e o resto da vinheta toda a preto, ou algo do género. Na postura do gato nota-se hesitação e cautela. Pode ir a “cheirar” o caminho, e com as orelhas arrebitadas
No regresso, a escuridão é total e a visão é inútil. O perigo é ser enganado pelos outros sentidos e perder o tempo a que pertence. Perder o tempo… perder…
Onomatopeias: BUM BUM BUM (bater à porta) – depois falamos se é este BUM a correcta.
3ªp./3ªv.
Plano da realidade.
Esta vinheta é a chave da estória.
No estúdio do Nostradamus, no exacto local onde se encontrava o Gato imóvel, e numa posição semelhante áquela em que o Gato se encontrava, está agora um homem nu (o Nostradamus, pois claro). Podes querer usar alguns efeitos para mostrar claramente que o gato se transformou no homem, como pôr uns fumos a sair do corpo do homem; ou se preferires, fazer uma outra vinheta (sem texto) antes desta , semelhante à 1ª de todas, com um close up nos olhos do Nostradamus; ou desenhar a transformação ainda a ocorrer e o homem com alguma característica de gato, tipo as mãos ainda serem patas…
O tempo a que pertence.
3ªp./4ªv.
Plano da realidade
O homem, ainda meio nu, vem a descer uma escadaria, em direcção à porta da sua casa. Ao mesmo tempo está-se a vestir, com algo tipo um roupão ou robe, enfim algo que se cruze e se ate à cintura. O interior da casa é iluminado por candeeiros a óleo ou então o homem tráz na mão um candelabro com velas. O interior de toda a casa, estúdio incluído, paredes e chão, deve ser de madeira ou pedra, como quiseres.
Batem à porta novamente, sendo que agora o som é mais audível, por estar mais perto.
BUM BUM BUM (letras maiores ou mais grossas que as anteriores)
3ªp./5ªv.
Plano da realidade
O Nostradamus abre a porta, e diante dele encontra-se o cavaleiro, ajoelhado no chão (ou todo curvado, em vénia) , erguendo na mão direita, um pergaminho. Sugiro um ponto de vista por cima do ombro do Nostradamus que ainda segura na porta que acabou de abrir (talvez ainda não completamente aberta) para mostrar de frente o Cavaleiro e o cavalo ao fundo, em último plano. Cavaleiro de meados do séc. XVI (vou procurar algumas referências históricas, se tu não tiveres já – que acredito que sim)
-Trago uma mensagem urgente para o Senhor desta casa, ilustre médico e astrólogo da Família Real.
-Sou eu, Michel de Nostradamus.
3ªp./ Vinheta final, ou tabuleta, pergaminho, etc…
Gostava de terminar a estória com estes versos do Nostradamus. O que achas?
Precaução legal contra os críticos despreparados.Que todos aqueles que leiam este verso considerem-no profundamente;
Que os profanos e os ignorantes dele se afastem E longe todos os astrólogos néscios e bárbaros; E talvez aquele que de tudo isso se distancie seja abençoado pelo ritual sagrado
Nostradamus, Centúria VII
(nota ao post: é possível que a versão final do texto apresentado na BD tenha sofrido ligeiras alterações de última hora)
segunda-feira, 28 de Maio de 2007
Melhor BD do concurso de Moura
A BD "25.12.1914" foi premiada, para minha felicidade, com o 1º lugar na categoria B (para autores com idade superior a 25 anos), do concurso do 16º Salão Internacional de BD de Moura.
A "Alquimia Temporal", apesar de não premiada, recebeu honras de figurar entre os poucos trabalhos selecionados para exposição.
A "Alquimia Temporal", apesar de não premiada, recebeu honras de figurar entre os poucos trabalhos selecionados para exposição.
sábado, 12 de Maio de 2007
no BDjornal #18
A banda desenhada "Esperança - o ponto de viragem", com argumento meu e arte de Manuel Morgado, chega agora às bancas, ao ser publicada no BDjornal #18.
Os pontos de venda do BDjornal podem ser consultados aqui: http://kuentro.weblog.com.pt/arquivo/248291.html
Os pontos de venda do BDjornal podem ser consultados aqui: http://kuentro.weblog.com.pt/arquivo/248291.html
sexta-feira, 20 de Abril de 2007
25.12.1914
Também para o 16º Salão Internacional de Banda Desenhada de Moura, com a arte de Manuel Morgado. http://www.manuelmorgado.blogspot.com/?
As restantes pranchas desta BD foram retiradas temporariamente
Alquimia Temporal
Escrita em Março de 2007, e desenhada no mês seguinte, para o 16º Salão Internacional de Banda Desenhada de Moura, dedicado ao tema "O Gato". A arte é de Filipe. http://pwp.netcabo.pt/l.f.l/
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terça-feira, 6 de Março de 2007
Esperança - o ponto de viragem
BD realizada em Setembro de 2006, para o concurso do XVII Festival Internacional de BD da Amadora, subordinado ao tema "Um olhar sobre o resto do mundo". A arte é de Manuel Morgado. http://www.manuelmorgado.blogspot.com/?
Publicada no BDjornal #18, em Maio de 2007.

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Publicada no BDjornal #18, em Maio de 2007.

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Olá
Se chegaste até aqui o mais certo é seres um apaixonado pela BD, ou um amigo de longa data...
Deste blog farei depósito dos meus projectos e devaneios como argumentista (muito) amador de banda desenhada.
Obrigado pela visita e volta sempre.
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